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Contos, poemas, críticas e o que mais der na telha (ou na tela, sei lá) |
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"Herói": Nunca um pastel de vento foi tão gostoso
Assisti quinta no UCI, na ótima companhia da maninha Mari – que, como boa Delírio, demorou pra chegar porque tinha se perdido. (Imagina se eu ia deixar de zuar!) :D Fiquei impressionada com o fato de o cinema estar lotado. Afinal, trata-se de um filme falado em chinês que já está na sua terceira ou quarta semana em cartaz. Deve ser o efeito Jet Li, figurinha fácil em diversos filmes de "pé-na-cara", que interpreta o personagem principal.
"Herói" é visualmente perfeito, maravilhoso, mais do que um simples eye-candy, mostra um domínio da fotografia, das cores, da direção de arte e do figurino absolutamente primoroso. Praticamente todas as cenas são verdadeiras pinturas. Além disso, as seqüências de luta são filmadas com a maestria de praxe e o fato de a narrativa não ser linear torna o roteiro instigante, mesmo com o ritmo mais lento característico do cinema oriental.
O destaque absoluto vai para o uso das cores: cada seqüência tem uma cor central evocando um determinado sentimento. Do preto dos soldados austeros diante do palácio do rei ao vermelho em uma cena envolvendo paixão (em suas várias formas), passando pelo branco no deserto em um momento-chave para o filme – lembre que o significado dessa cor para os orientais é diferente do nosso. Não dá pra dizer mais sem estragar a história. Aliás, dá sim: essas cenas no deserto lembravam muito "Star Wars". Tatooine, alguém? :D
Há ainda uma inacreditável luta sobre as águas num cenário ao ar livre em tons de verde de cair o queixo. Impossível não continuar de boca aberta com a agilidade e destreza dos atores em seqüências de luta que são verdadeiros espetáculos de dança. E as roupas! A forma como elas se movem, diáfanas e sem atrapalhar os movimentos é algo simplesmente fantástico.
Aliás, alguém precisa mostrar pro Rob Bowman a sensacional cena do Espada Quebrada com o rei na sala do palácio, cheia de cortinas verdes esvoaçantes. É *assim* que se filma uma luta com tecidos voando ao redor, e não aquela nulidade vista em "Elektra". (Ou melhor, não vista, porque os panos voavam na *frente* da câmera o tempo todo!)
Mas... (sempre há um mas!), "Herói" não é perfeito. O que sobra no visual, falta no roteiro: confuso e um pouco esquemático – tudo bem que não se trata de um thriller, mas custava ter algumas surpresas? A história tem mais idas e vindas do que "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" e não, isso não é um elogio. Além disso, ocorre o erro grave de relativizar todos os personagens: se o fato de ninguém ser 100% bonzinho deveria tornar a historia mais realista, a ausência de um mocinho claramente definido e a incerteza quanto às motivações dos personagens tornam impossível a empatia do espectador.
Ou seja: até agora não sei se gosto ou não do trio Sem Nome, Espada Quebrada e Bola de Neve. Nem sei se o Sem Nome é mesmo o herói do filme. Lá pelas tantas, também fica difícil torcer contra ou a favor do rei. Ou seja, o roteirista exagerou na relativização antropológica das motivações dos personagens. Exatamente o oposto da outra obra do mesmo diretor Yimou Zhang: "Clã das Adagas Voadoras" (Post do dia 03/10/2004), onde o Wind é o herói típico, os vilões são bem definidos e há um triângulo amoroso para apimentar a história (um clichê sim, mas muito bem empregado). É como diz o professor e roteirista José Louzeiro nas minhas aulas do curso "A Reportagem e o Cinema": filme sem herói não funciona!
Outro porém: embora as cenas de luta sejam fantásticas, com um uso inusitado do "bullet-time" (o efeito câmera-lenta de "Matrix") e ângulos de câmera bastante interessantes, em diversos momentos era possível perceber que o cabo estava sendo usado pra segurar os atores. Não, não dava pra ver nenhum fio na tela, mas a forma como os atores se moviam em alguns momentos era "presa", com as limitações dos cabos nitidamente visíveis. E olha que os chineses são mestres nas "wire fights".
Moral da história: a massa do pastel estava uma delícia, mas o recheio era vento puro. Fica a impressão de que o filme foi pensado primeiro pelo diretor e só depois um texto foi encaixado naquelas imagens. "Adagas" é mais completo, não apenas por ter sido feito depois, mas por ter um roteiro tão atraente quanto o visual. Porém, isso não me impediria de recomendar "Herói" e muito menos de vê-lo novamente.
Escrito por mim mesma, oras! :P às 02h05
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"Apressado come cru", já dizia a minha avó (Errata do post anterior)
Resolvido o mistério do Stevie Wonder no anúncio do show do Ray Charles! Graças ao comentário do sempre atento e gente finíssima Sérgio Maggi, descobri que eu peguei o bonde andando e sentei na janelinha: o show em questão é um tributo ao "Genius" (o cantor e pianista, não o jogo dos anos 80!), com vários artistas interpretando suas canções. Inclusive, claro, o Stevie Wonder.
Certo, a minha vontade de contar a piada foi mais rápida do que a de apurar os fatos (péssimo pra quem quer ser jornalista, eu sei). Mas que foi hilário ver o responsável pelo clássico “Songs in the key of life” na tela enquanto o letreiro mencionava o autor de “Georgia on My Mind”, ah isso foi! :D
Escrito por mim mesma, oras! :P às 01h14
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Cegueira Cultural
Se tivessem me contado eu não acreditaria, mas é a pura verdade. Ligando a Sky pra gravar CSI Miami pra minha mãe, leio rapidamente o anúncio: “Ray: Uma Noite com o Gênio Ray Charles”, sábado às 17h, no Multishow. Quando estou me animando pra ver o show, noto que quem aparece na tela é o... Stevie Wonder!!!
Definitivamente quem escolheu essa imagem não era uma pessoa de visão :D
Zoações à parte, como futura profissional de Comunicação Social eu me pergunto: como diabos alguém deixa passar um descalabro desses? Ainda mais tendo o filme “Ray” dado o Oscar de melhor ator dramático pro Jamie Foxx esse ano? Isso é que é falta de background cultural...
Escrito por mim mesma, oras! :P às 01h13
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Fim de semana incrivelmente rocambólico (Sim, isso é um neologismo. Por que, vai encarar? :D)
Murphy existe. Mesmo! Qual seria a explicação melhor para o singelo fato de *tudo* se acumular em um único fim de semana? (Bom, pode ser a boa e velha ironia do Destino, mas eu jamais vi senso de humor no vetusto maninho, quanto mais ironia...).
Mas digressiono e não explico, então vamos lá: tenho prova de Sistemas de Informação amanhã, um trabalho de Teoria da Comunicação III pra entregar na terça e um trabalho de tradução – grande! – pra entregar na quarta. É, estou ferrada, mal paga e sem troco! (na verdade não era bem “ferrada”, mas é que prefiro proferir palavrões em vez de escrevê-los).
Devido a essa overdose de tarefas, deixei de ir à DDK ontem. E olha que dessa vez eu tinha até carona! Pra completar, perdi a hora na sexta-feira e dormi praticamente o dia inteiro. Quando percebi que estava ainda mais enrolada, li calmamente o jornal, comi alguma coisa e fui pra academia. Não chutei o balde e nem os aparelhos da musculação, mas algumas canelas e costelas e isso foi definitivamente ótimo para o meu humor. Alguém devia fazer uma tese sobre as vantagens terapêuticas do boxe tailandês no combate ao estresse. :)
De resto, percebo que estou trabalhando demais (e que ando realmente encarnando – com trocadilho! – uma representação antropomórfica de aspecto do universo) quando leio “Care for Death” (assim mesmo, em maiúsculas) no texto que estou traduzindo e imediatamente penso “Oh, yeah, I could use a good care right now”. E por falar nisso, eu quero meu dom da ubiqüidade agora! Ué, a Morte não está em “trocentos” lugares ao mesmo tempo? Então...
Outra da tradução: O texto diz que um paciente moribundo deve ter um tempo para ouvir suas músicas favoritas. E imagino imediatamente alguém ouvindo Rammstein no hospital, para desespero dos enfermeiros... :)
Pra fechar: Mais alguém acha “moribundo” uma palavra absurdamente engraçada ou meu senso de humor é mórbido mesmo? :)
Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h18
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Taverna e Statue Molesters
Sim, sexta-feira foi dia de "Uma Noite na Taverna" lá no SESC de São Gonçalo! O recital foi particularmente ótimo, e isso não está ligado ao fato de eu ter me apresentado. A casa estava cheia, com platéia animada e ótimas performances, o que não necessariamente inclui a minha: foi impossível conter o nerviosismo, apesar de ser a terceira vez que recitei por lá. Minha mão tremia segurando o Palm (eu disse Palm, infames de plantão! :D). Apesar disso, senti mais segurança ao recitar os poemas dos Perpétuos e aproveitei pra declamar pela primeira vez o "Paisagem Urbana I" e o recém-acabado "O Tempo".
Tremeliques à parte, recebi um ótimo feedback! Várias pessoas vieram falar comigo e pegaram o endereço deste humilde blog. Se você for uma delas, ou simplesmente quiser reler os poemas clique aqui. E deixe comentários aqui no blog! :)
Findo o recital (eita!), eis que testemunhei uma das cenas mais bizarramente hilárias de toda a minha vida. Vi um grupo de Statue Molesters em ação bolinando uma pobre estátua simbolizando a liberdade dos escravos em uma certa praça de São Gonçalo. Bom, a estátua não mostrou reação alguma, mas posso garantir que o ato foi ótimo para os molestadores em questão (teve até cigarrinho depois.. :D). Ah, e antes disso rolou um momento "humping things" envolvendo uma moto estacionada e um estranho boneco promocional dos sorvetes Nestlé. Os detalhes sórdidos estarão em breve nos sites www.statuemolesters.com e www.ihumpthings.com
P.S: Ainda estou com inveja mode FULL por causa do IPod do Luis... Meu caro, você nasceu virado pra Lua. Uma dessas só acontece uma vez na vida! :)
Escrito por mim mesma, oras! :P às 03h04
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É bom demais pra ser verdade!
- A tradicional festa à fantasia dos calouros da ECO/UFRJ terá como tema os quadrinhos, algo que eu esperava desde o primeiro período! Nem preciso dizer do que irei vestida, certo? :)
- Toda a saga de “Sandman” será relançada no Brasil em dez edições de luxo com capa dura. E a primeira, “Prelúdios e Noturnos”, sai na Bienal do Livro, em maio próximo. Espero que a tradução seja tão boa quanto a do “Noites Sem Fim” (Endless Nights) (E lá se vai minha grana.. :D).
Mais informações em: http://www.conradeditora.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=703 (Detalhe: abstraiam o “edição mais luxuosa do mundo”. Até onde sei, os livros terão o mesmíssimo padrão da versão hardcover americana).
- Neil Gaiman está com trabalho novo praticamente pronto “Anansi Boys” (Sim, é o mesmo Mr. Nancy de “Deuses Americanos”). O livro estará na rua oficialmente em setembro, mas já pode ser comprado em pré-venda na Amazon. Detalhe: o site oficial do escritor oferece um trecho de lambuja (eita!).
Confiram em: http://www.neilgaiman.com/books/anansi_hc.asp
Só espero continuar conseguindo trabalhos de tradução pra pagar isso tudo, hehehe!
Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h52
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Testezinho básico!
You are Death!

You are Death, the friendly face with kind words to give people in their last moments, and the second eldest of the Endless. You enjoy meeting new people and helping them on their way. Contrary to popular belief, Death is not a sullen skeleton who carries a scythe - she is a cheery, compassionate anthropomorphic personification who likes people. She is there at the beginning of life, though no one ever remembers, and of course also at the end. Another of her duties, not as well known, is to become mortal one day every century so that she may remember what it is like to live, and to die.
Which Member of the Endless are you?
http://www.mvhs.net/~jkim/ae/you/endless/endlessquiz.htm
Provavelmente nem meus peixes de estimação (se eu os tivesse!) acreditariam, mas eu *não* roubei! :)
P.S: Eu *amo* a frase que está na imagem (a tradução, livre, é minha):
"Quando o primeiro ser vivo existiu, eu estava lá esperando. Quando o último ser vivo morrer, meu trabalho estará terminado. Então, vou colocar as cadeiras por cima das mesas, desligar as luzes, e trancar a porta do universo atrás de mim enquanto saio"
Death - falando através de Neil Gaiman. Preciso dizer mais? :)
Escrito por mim mesma, oras! :P às 02h54
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Duas pérolas sobre o Fim do Papa (Não recomendado para pessoas sem senso de humor! :D)
O Papa foi-se. E a única coisa em que consigo pensar é na seguinte cena:
Vaticano / Apartamento do Papa / Interior / Dia Morte dos Perpétuos e Papa
Morte está sentada na cama, com as pernas cruzadas, aos pés do corpo do pontífice. Displicentemente, ela lixa as unhas pintadas de preto.
Morte: - Olha, eu já vi muita gente bater o pezinho e se recusar a vir comigo, mas você deu um trabalhão, viu? (T) Foi um dos mais difíceis que já levei! Só porque é o emissário de Deus na Terra, de acordo com a tradição católica, tava achando que ia conseguir me evitar pra sempre? A fila anda, cara!
E ouve-se o som de asas batendo. A câmera “voa”: a imagem sai pela janela em direção à Praça São Pedro, sobrevoando a multidão.
*********************
Ainda sobre o finado Pontífice. No Jornal Nacional, William Bonner, compungido, diz: - O papado de João Paulo II acabou. Minha mãe: - Nossa, eu entendi ele dizer que o “babado” do João Paulo II acabou! Eu: - Ah, é... Deve ser o babado daquelas roupas enfeitadas dele, né?
Moral da história: Babaquice é *realmente* hereditária...
Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h26
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Sexta-Feira Rocambolesca (um veto, um gato e alguma diversão que ninguém é de ferro!)
Saio de casa e vou toda feliz pra ECO e pro que seria a minha primeira aula do laboratório de Portifólio, até ser devidamente vetada por causa da superlotação da turma. E lá se foi minha chance de aprender a mexer no Photoshop. O problema vai alem das questões de auto-estima (convenhamos, ser rejeitada nunca faz bem) e passa pelo fato de que eu preciso *desesperadamente* de um laboratório pra fazer, senão não consigo passar pro próximo período. Great.
Frustrada, resolvo fazer hora no Rio Sul e ligar pra ver se a Cristine podia me encontrar mais cedo. Muitas fofocas e novidades depois, fomos eu, ela, e a Rubinha (cunhada gente finíssima da Cristine) pro Guapo Loco. Sim, foi a minha primeira vez com a culinária mexicana e não é que foi bom? Gostei dos nachos (que realmente parecem uns Doritos enfeitados com queijo e afins), do taco e da quesadilla. Só achei estranho o gosto forte do feijão no burrito, mas nada que afogar o dito cujo no molho apimentado não resolvesse. Aliás, esse molho era realmente fantástico mas os outros dois, um de abacate (meio agridoce) e um de leite (mais neutro) também eram deliciosos. E a mistura deles de forma desordenadamente aleatória era gustativamente desafiadora.
Parêntese: Segundo o cardápio do Guapo Loco, kani é imitação de caranguejo. Não precisamos elocubrar muito pra concluir que, na verdade, o kani é uma lingüiça de caranguejo, já que é artificialmente prensado. Outra coisa surreal foi que a conta chegou antes que nós a pedíssemos, graças a um erro do garçom. Em todos esses anos nessa industria vital, essa foi a primeira vez que isso me aconteceu :)
De lá, fomos pro Viena Express onde comi a maravilhosa torta de chocolate amargo. Foi quando eu vi. Meninos, eu vi! O homem mais lindo do mundo: alto na medida certa, cabelos encaracolados alourados placidamente caídos até o ombro, branco, olhos verdes. Braços fortes. Estilo largado-chique, de camiseta e jeans surrados. Olhar lindamente perdido e desolado, expressão triste. Juro, parecia um anjo. Ou um sósia do vampiro Lestat. E ele trabalha na M. Officer do Rio Sul, a quem interessar possa. Mas tirem o olho que eu vi primeiro!
E a noite se encerra num botequim em Botafogo. Na volta pra casa, o surreal ficou por conta de um cara esvaziando uma bola de futebol na van (não me perguntem!) a caminho de Niterói e da outra van caindo aos pedaços que, milagrosamente, me deixou na minha rua às duas da manhã.
Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h21
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