Contos, poemas, críticas e o que mais der na telha (ou na tela, sei lá)
   Meu fim de semana “indie” e otras cositas más

Calma, povo! Não me tornei um desses seres freqüentadores assíduos do Estação Botafogo e fãs do Placebo. Apenas calhou de eu ter feito vários programas desta tribo. Vejam só:

Sábado, 22h: Pré-estréia de “Sin City” no Odeon, na ótima companhia de Evelyn, Isabela, Skywalker, Luis e Leo. Filmaço, digno de um post individual assim que assisti-lo novamente. Dessa vez só consegui babar no visual, na fotografia ousada e direção idem. Salve Frank Miller e Robert Rodriguez! Ah, sim: Marv é *o* cara!

Sábado, por volta de 1h: Hilária viagem de táxi na qual o Leo fez questão de dizer para o motorista que estávamos indo ao cemitério. Sim, éramos um bando de gente vestida de preto indo pra Botafogo àquela hora. O taxista, misteriosamente, ficou calado durante quase toda a viagem. Acho que ele só acreditou no nosso real destino quando nos deixou em frente a...

Casa da Matriz: Pois é, fiz minha primeira visita ao paraíso “indie” do RJ e... gostei! Infra-estrutura muito melhor que a do Escombro, digo, Espaço Marun. Duas pistas, uma de eletrônica – que por um breve momento me fez retomar a fé nesse tipo de música – e outra de rock, ambas com som impecável. Não sei os nomes dos DJs que tocaram primeiro mas eram muito bons, pois conseguiram a proeza de mixar rock sem errar. Depois, veio o Edinho e sua proverbial cara de bebum, fazendo um set muito doido que começou com “James Bond Theme” (Moby). Convenhamos, jamais pensei que fosse presenciar o Edinho tocar Moby! De resto, rolaram duas do The Killers, suficiente pra valer a minha noite, e muitas músicas estranhas dançadas por pessoas esquisitas. Mais tarde, uma seqüência divertidamente sem noção que teve de Aretha Franklin (“Respect”, clássica!) a Beatles (“Hard day’s night”). Ah, havia ainda o clone do Marcos Valério na pista de dança – sem malas de dinheiro -, uma versão magrela e com cara de bunda do jardineiro de “Desperate Housewives” e um sujeito que lambia o cigarro. Tinha também o gato moreno com sorriso entre o Matthew McConaughey e o Micheal Vartan. O rapaz usava uma boina e foi carinhosamente apelidado pelo Leo de “Chaves”. Em suma: freaks que não estavam “on a leash” :D Só cheguei em casa às 8 da manhã, com o pãozinho e o jornal embaixo do braço.

Domingo: de uma tacada só, vi “Antes do amanhecer” e “Antes do pôr-do-sol”, ambos do Richard Linklater. Sensacionais, fantásticos, perfeitos. Romance com brains, porque inteligência é sexy. Verei de novo para fazer um review decente, mas digo uma coisa: quero um Jesse pra mim! (e *preciso* desses filmes em DVD).

Segunda-feira: vi “21 Gramas” e revoltei-me profundamente. Filmezinho safado! Só vale pela narrativa não-linear realizada com uma edição primorosa. Não consegui sentir nada pelos personagens. O roteiro era pífio: não há exatamente um desfecho e nem indicações de ser uma obra aberta. Em se tratando de como o acaso pode salvar ou destruir vidas alheias, “Sobre Meninos e Lobos” é muito mais consistente. De resto, estou até agora querendo lembrar quem me disse que eu ia gostar desse filme, só pra esganar o (ou a) infeliz! :D

Segunda-feira (madrugada): vi “Adeus, Lênin”, tocante e divertido, embora não seja essa Coca-Cola toda (com trocadilho!). E a pergunta que não quer calar: se o filme é alemão, por que diabos o protagonista não levou sua namorada pra ver um show do Rammstein ou do Kraftwerk? :D

Foram ou não programas mega-indie? :D Contudo, como a vida é feita de contrastes...

Terça-feira, tarde: vi “Batman Begins”, realmente o melhor filme do morcegão já feito. Um blockbuster com cérebro. A diferença em relação ao Quarteto Fantástico é gritante: aqui o personagem tem background e consistência, é multifacetado. Problemas? Sim, eles existem. As cenas de luta filmadas em estilo estroboscópico no qual não se vê nada (“Elektra” fazendo escola, socorro!) e uma certa canastrice do casal protagonista: Christian Bale e sua ridícula boca semi-cerrada e Katie Holmes com sua expressão facial torta mereceram os apelidos de “Garoto-Boca-Estranha” e “Garota AVC”, dignos do quadro Super-Heróis Improváveis do “Whose Line is it Anyway?”. E fui só eu que achei o Liam Nesson muito Qui-Gon do mal nesse filme? Apesar disso a história convence, há uma explicação plausível pro Batman usar aquela roupa ridícula e o Batmóvel novo é um achado. E nada como se cercar de coadjuvantes de luxo como Morgan Freeman (Lucius Fox), Micheal Caine (sensacional como Alfred), o já citado Liam Neeson e Gary Oldman (Gordon) para dar estofo ao filme. Obviamente há a deixa para a continuação de praxe, com um vilão muito esperado.

Quarta-feira: acabei de ler “O Código da Vinci”. Pro que se propõe, literatura fast-food e midcult (vide as descrições de museus, igrejas e quadros pra dar um verniz de alta cultura a obra), funciona. Apesar disso, há falhas: o livro começa bem, com seus capítulos curtos, ótimos ganchos e narrativa cinematográfica. Porém, depois que os protagonistas aterrissam em Londres a historia desanda, o ritmo cai e o autor nitidamente se perde. Fazer descrição de igreja no auge do suspense não é a melhor maneira de prender o leitor. E há o final pra lá de óbvio, resvalando no piegas na ultima cena.



Escrito por mim mesma, oras! :P às 01h29
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   Quarteto Fantástico – visual de cair o queixo distrai na medida certa

Finalmente consegui ver o blockbuster com a maior campanha de marketing dos últimos tempos (impossível fugir dos anúncios nos ônibus, nos outdoors e dos trailers na TV), na ótima companhia de Mônica e Fernandinha, com direito a pizza na Parmê e muitas fofocas depois (cheguei em casa right on time pra ver “House”!)

Esta que vos digita só conhece o grupo de heróis daqueles desenhos “desanimados” toscos que circulavam pela Globo nos anos 80. Nesse aspecto, o filme representa uma evolução e tanto: a caracterização foi esperta a ponto de arrumar uma explicação decente para o uniforme azul-colante. E melhor: as roupitchas ficaram fashion sem parecer ridículas! Mesmo não sendo exatamente fã do Quarteto, gostei muito de terem lembrado detalhes como as mechas de cabelo branco do Sr. Fantástico e a máscara e o capuz do Dr. Doom, marcando sua transformação oficial no antagonista. 

O ritmo do filme é incrivelmente ágil, fica fácil se deixar levar por uma cena de ação estonteante após a outra. A apresentação dos personagens aparece de forma correta e bem-feita: não se perde tempo demais no assunto. Fazem questão de deixar explícitas as características de cada um: Sr. Fantástico, o líder-nerd que não tem jeito com as mulheres; Tocha Humana, o garotão desmiolado e babaca (não perde uma piada); Mulher Invisível, a típica garota do século XXI: inteligente, decidida e responsável; o Coisa, grandalhão gente-boa que fica em crise por ter perdido a esposa devido a sua aparência e, last but not least; Dr. Doom, o vilão capitalista-evil (Barthes ia adorar isso!).

As razões pelas quais os cientistas viraram super-heróis são explicadas numa seqüência de visual impressionante envolvendo uma explosão no espaço sideral, que só pegou pelo excesso ao mostrar a radiação atingindo individualmente cada um dos cinco. Tá, a gente já sabia que isso ia acontecer, não precisava esse momento “explicadinho”.

A partir daí, há um conjunto vertiginoso de cenas de ação grandiosas. A primeira, numa ponte, lembra “Homem-Aranha 2”, quando o herói segura um trem. Pegue isso e multiplique por 10. Temos aí o estilo visualmente fantástico (com trocadilho!) da película. A evolução dos efeitos especiais impressiona. Definitivamente nada é impossível de ser filmado hoje em dia! (O que me fazer ansiar por “Neverwhere”, baseado na obra do Gaiman com direção do maluco-beleza Dave McKean).

Efeitos especiais à parte, o roteiro acerta ao dar um passado aos personagens e mostrar pequenos conflitos entre eles: o Coisa X Sr. Fantástico, Tocha X todo mundo, Garota Invisível X Sr. Fantástico e Dr. Doom e, principalmente, Dr. Doom X Sr. Fantástico, é claro.

Ponto negativo? Talvez a cena no campeonato de motocross. Além de jabá descarado dos X-Games, foi um exagero com o óbvio objetivo de tornar o filme ainda mais atraente para crianças e adolescentes. Mesmo com o personagem do Tocha sendo fã de esportes radicais, a cena – embora muito bem realizada e esteticamente bonita – soou forçada.

Em suma: filme-pipoca perfeito pra ver com a galera. A ação ininterrupta distrai na medida certa e impede o espectador de pensar em quaisquer furos de roteiro. Os clichês são bem utilizados e atendem perfeitamente ao propósito desse tipo de filme: diversão pura e simples. Ah, obviamente o final indica uma continuação à vista. Que venha!

Detalhe: a comparação entre “Quarteto Fantástico” e “Batman Begins” não procede. Embora ainda não tenha visto o filme do morcegão, este tem objetivo diferente: é baseado em uma graphic-novel sombria e busca mostrar o lado soturno do personagem, numa espécie de filme-pipoca com cérebro. Por sinal, pretendo assisti-lo em breve, antes que o Batman Ends, hahaha! 



Escrito por mim mesma, oras! :P às 02h32
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   Só existem duas coisas sempre certas na vida: Morte e Impostos...

Relendo Sandman, volume "Dream Country" ("Terra dos Sonhos"), história "Fachadas". Morte conversando com uma ex-super-heroína deprê:

"Vocês humanos *sempre* se prendem às suas identidades antigas, máscaras e rostos antigos, por muito tempo depois que eles já serviram a seus propósitos. Mas vocês tem que aprender a jogar as coisas fora, de vez em quando" 

Não é impressionante quandos uma HQ te dá um tapa desses? A Morte é realmente a mais sábia dos Perpétuos. And she is always right.



Escrito por mim mesma, oras! :P às 03h30
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   Morte, a Festa... no apê!

Semana movimentadíssima (terminei um trabalho de tradução!) e fim de semana melhor ainda: finalmente consegui trazer as maninhas aqui pra casa! Zuamos *muito*, elas dormiram por aqui, nunca falei tantas besteiras por minuto e nunca tinha brincado de "Eu Nunca". Mas eu confesso que queria brincar disso com o Sawyer, que nem na cena de "Lost"! Ah, e "Laranja Mecânica" rulez big time!

Sério: fazia tempo que não zuava tanto. Amo vocês todo dia! E conviver durante essas praticamente 24 horas seguidas foi... fofo, muito fofo! E divertido também! :D

Tá, depois boto um post mais coerente. Ainda estou com sono! :D E me mandem umas pérolas proferidas por nós pra eu postar aqui! :D



Escrito por mim mesma, oras! :P às 16h39
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   Interdisciplinaridade

Estou relendo Sandman (finalmente!) enquanto faço um trabalho de tradução.
Em "Casa de Bonecas", há uma história à parte, "Homens de Boa Fortuna", onde
um certo Hob Gadling se gaba de ser imortal e acaba conseguindo seu objetivo.

Logo na primeira página, Morte leva Sonho - mané-mor, para os íntimos - pra dar uma
voltinha em uma taverna na Idade Média (em 1349, para ser mais precisa). Sintam o diálogo:

Sonho: ...Muito bem. Mas ainda não consigo ver à qual propósito isto serve.
Morte: Bom, pelo menos *eu* saio e os encontro. Só pensei que talvez fosse bom que você os visse nos termos *deles* em vez dos seus.

Ou seja, o Sonho é etnocêntrico e a Morte defende a relativização antropológica (além da pesquisa de campo, of course).



Escrito por mim mesma, oras! :P às 01h23
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   Decepcionando-se com o cenário musical ou Sou apocalíptica, sim. Vai encarar?

Depois de ficar às voltas com “trocentas” provas e trabalhos no fim do período, retornei ao convívio humano. Sentindo falta de música nova em minha vida, fui para a MTV e o Multishow saber o que está acontecendo. E descobri que:

O Backstreet Boys ainda existe (convenhamos, segundo aquela matéria do trabalho do João Freire, o grupo já estaria no meu reino - isto é, mortinho da silva...)

A Shakira ainda existe. Só que agora a moca, que já não fazia algo decente desde “Estoy Aqui”, resolveu imitar a Beyonceta e sacudir os peitos – sujos de lama! - no seu clip, cujo título, “La Tortura”, resume bem o que esta que vos digita sentiu enquanto assistia.

O Linkin Park insiste naquele disco com o Jay-Z. Alguém precisa explicar pros moços que o hip-hop é só influência! Esse negócio de botar rap em cima de guitarra só funcionou com “Walk this Way” do Aerosmith com o Run DMC ou em qualquer coisa dos Beastie Boys. Nesse disco, conseguiu estragar as músicas do grupo de new metal, que são ótimas dentro da proposta deles: de fazer pop-rock com pitadas black.

O Hanson ainda existe. E estão tentando fazer musica pop “adulta”. Fica igual ao Backstreet Boys. Nessa mesma linha, o clone nacional do Hanson, o B5, também existe. E ambos poderiam sumir, tornando o mundo um lugar melhor para se ouvir música.

O Ludov, grupo badalado do mundo indie está com clip na MTV: e descobri que eles sofrem da síndrome de Nightwish: os vocais semi-líricos (a mulher não canta tão bem quanto a nórdica lá do “Nemo”) não combinam em absoluto com o ritmo. Puro hype.

O CPM 22 continua firme e forte na preferência popular aborrecente. Bleargh.

O System of a Down resolveu dar uma de Queen no seu vídeo BYOB. O que são as firulas vocais do sujeito, minha nossa?

O Simple Plan é um clone do Blink 182. Descarado.

O Oasis continua tentando ser os Beatles da fase psicodélica. E soam ainda piores que os originais. (E já vejo todos os fãs dos Fab 4 querendo me esganar)

A Gwen Stefani precisa urgentemente voltar ao No Doubt: regravar uma música que já era chata nos anos 90, “Rich Girl”, não foi uma boa idéia.
 
Pra fechar: o que é o clip novo da Britney Spears? Dessa vez ela se superou no quesito trash. E resolveu assumir mesmo que não tem voz: quinhentos mil efeitos e um batidão  funk (ah, pros gringos é electro!) que não faria feio em bailes por aqui. Ai que saudades da Madonna, que sabia usar a pouca voz de forma muito mais interessante...

Moral da história: acho mesmo que o último trabalho de Teoria da Comunicação 3 não fez bem pro meu gosto musical.... É um bando de estereótipos e repetições de fórmulas de sucesso (mesmo entre minhas bandas favoritas). Depois ainda me perguntam porque só vou a festas com músicas dos anos 80...



Escrito por mim mesma, oras! :P às 04h23
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   Conclusões a que cheguei nos últimos dias

Mitologiaaaa, eu quero uma pra viver! (De preferência a de viés campbelliano, que é mais alegrinha. Barthes é mais ideológico, claro, mas muito “burgueses são evil, evil people”, ou seja lá como se diz isso em francês). Ah, e essa frase foi roubada da Lili, hehehe!

É impressionante a quantidade de coisas que é possível fazer usando luvas: de digitar corretamente a comer bombons! (Sim, eu sou friorenta!)

A voz da mulher do Nightwish me irrita. Profundamente! Tudo bem que meio mundo já avisou que “Once” era o pior álbum deles, mas eu tive que ouvir pra crer. E foi com imenso prazer que joguei todos aqueles gritinhos pseudo-operísticos na lixeira do meu PC. São tão irritantes quanto os trinados da Mariah Carey. Só salvei “I wish I had an Angel”, pois o vocal do cara prevalesce. E fui ouvir Evanescence para desintoxicar.

Quentin Tarantino é um gênio! O episódio final de CSI confirma isso. Cortes inusitados, uso fantástico da luz, condução magistral do suspense... E se eu continuar escrevendo, vou violar todas as regras do bom texto jornalístico no que diz respeito ao excesso de adjetivos. Se você não viu, corra ao site de downloads mais próximo e assista agora!

Algumas  heresias musicais foram cometidas no Live 8: Coldplay cantou com Oasis (ainda bem que não vi, senão seria capaz de vomitar) e George Michael com Paul McCartney (nesse caso, resta saber quem queimou o filme de quem...)

Não é preciso ter 100% de awareness nem de recall nas aulas para tirar uma boa nota na prova de Comunicação e Marketing.

É possível não se estressar com trabalhos feitos em cima da hora – o que, para esta que vos digita, é um grande progresso! Não digo o mesmo quanto a ficar chateada, mas aí é coisa do meu lado nerd-mandão mesmo, nada que uns puxões de orelhas coletivos não resolvam... :)

E as férias estão chegando! (Well, pelo menos férias da faculdade porque obviamente preciso trabalhar)



Escrito por mim mesma, oras! :P às 19h43
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