Contos, poemas, críticas e o que mais der na telha (ou na tela, sei lá)
   “Killing me softly”

Tenho pensado muito nessa letra de música ultimamente. É um dos textos mais sensíveis que já li e mostra a indignação de uma mulher com determinado compositor que insiste em falar de sua vida em uma canção, fazendo-a se sentir despida na frente da enorme platéia do show. Era a sua história sendo contada ali, sem permissão e muito menos direitos autorais.

Pois é assim que ando me sentindo nas aulas de Comunicação e Filosofia. Não que as referidas aulas sejam ruins, muito pelo contrário! Mas é que o professor Paulo Vaz insiste em abordar *todas* as minhas questões existenciais em sala de aula, uma por uma, deixando-me entre inquieta e desconfortável, passando pelo levemente angustiada.

Obviamente, a Filosofia trata de temas universais. Por isso, não foi surpresa ver a angústia da finitude humana diante da Morte ser um dos primeiros assuntos didaticamente abordados. Até aí, tudo bem: Neil Gaiman me ajudou a resolver esse assunto. Depois, vem a aceitação da presença do acaso na existência humana versus a percepção de estar ou não no controle de sua própria vida. Graças a Jorge Luis Borges e sua brilhante idéia do Jardim dos Caminhos que se Bifurcam, e ao gênio do já citado Gaiman ao expandir o conceito em seu Destino dos Perpétuos, esse também não foi um problema.

Contudo, eis que chega-se à opressão causada pelo tempo. O medo do futuro e do que ele nos reserva. A idéia de que a cada escolha feita na vida, muda-se a si mesmo. E que em algum momento, esses "eus" – anteriores ou futuros, quem sabe? – voltam das sombras causando tribulações e tormentos. Aí, danou-se. A multiplicidade de "eus" foi resumida para efeitos didáticos a apenas dois e já me rendeu um poema, "Dicotomia Existencial". A questão com o tempo linear virou outro, chamado (duh!) "O Tempo". (Para lê-los, clique aqui).

E semana passada o assunto era "Culpa e Vergonha". Respirei aliviada. Ingenuamente pensei que nada disso me dizia respeito. Até ser atingida pelo conceito de culpa como a internalização do olhar do outro, nos fazendo juízes cruéis de nossos desejos. Nunca tinha pensado nisso dessa maneira. E faz todo o sentido.

A culpa vem de achar que se está fazendo algo errado, que não se é digno de viver em sociedade, por ser diferente, por "perder o controle" ou por possuir o Mal dentro de si. Mas quem definiu o que é esse Mal, o que é ser "normal"? A cultura e seu caráter unificador de comportamentos. E eu que me acreditava livre disso pelo simples fato de ser atéia (sempre associei a culpa à formação judaico-cristã do mundo ocidental).

Diante dessas constatações, fica apenas a pergunta que pretendo levar para a próxima aula: se a Filosofia ensina a "livrar-se" de Deus (vide Nietzsche, por exemplo), será que há alguma forma de livrar-se da Culpa? Será possível viver sem ela, parar de temer a mim mesma? 

(Embora eu ache que, se isso ocorrer, minha inspiração poética irá para o espaço... Ou seria essa apenas uma visão incutida pelos ideais do Romantismo? Aí já é outra matéria, também interessantíssima: Comunicação, Espetáculo e Cultura II, a eletiva do João Freire. Mas dessa eu falo em outro post, num outro dia :D).



Escrito por mim mesma, oras! :P às 21h14
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   Eu implico com Publicidade...

.. mas sei reconhecer um bom anúncio quando vejo um. Como o comercial novo da Peugeot 407 que está sendo exibido insistentemente pelo canal a cabo Fox:

Cidade Não-Especificada. Exterior. Dia.
Todos os carros na rua são feitos de brinquedo, nos mais variados modelos. Perfeitamente estilizados. Cenas do dia-a-dia, engarrafamentos, carro de polícia em alta velocidade. E um coitado colocando seu veículo na garagem - na verdade, uma enorme caixa de papelão onde se lê “Toys”. Nesse momento, o sujeito vê seu vizinho, o feliz proprietário de um Peugeot 407: o *único* carro de verdade em todo o anúncio.
Corta. Aparece na tela: Peugeot 407 e a frase "Emoção em movimento".

O gênio está no fato de o verdadeiro slogan não ser exibido, por desnecessário: "Peugeot 407. Perto dele, todos os outros carros são de brinquedo".  Sensacional. Criativo até não poder mais. (E olha que o carro nem é lá grandes coisas em termos de beleza).

Conseguiu superar meu comercial favorito dos últimos tempos, o da Sony Cybershot que parece um cartão de credito de tão fina e tem aquela seqüência de filme de ação, com o sujeito sendo perseguido por uns capangas e se safando porque colocou a câmera num envelope e logo a seguir, postou numa caixa de correio próxima.  Ou a campanha do CrossFox na selva ao som de “The Lion Sleeps Tonight”.

P.S: Meu sumiço ocorre devido à correria desse meu quarto período e seu horário insano. Estou devendo um post sobre essa mudança de ares, de horário e de logística dentro da ECO (encontrar a galera agora dividida entre PP, Rádio e, vá lá, PE exige planejamentos altamente elaborados :D).  



Escrito por mim mesma, oras! :P às 23h23
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   Sin City: ‘Noir’ para o século 21 mostra a ética dos desvalidos

Trata-se de um filme excepcional, sob vários aspectos. Primeiro, por ser uma transcrição literal de uma aclamada graphic novel, trazendo a linguagem dos quadrinhos para o cinema de forma consistente e inovadora. Segundo, por abrir novos caminhos para a cinematografia ao usar a computação gráfica de forma competente e realista. Além de dar uma boa sacudida no mofado gênero do filme noir.

Tecnicamente, “Sin City” é um primor: a fotografia preto-e-branco, com apenas certos detalhes coloridos, realça objetos e pessoas dando uma nova dinâmica à narrativa. A iluminação vem dos quadrinhos, onde cada personagem não recebe a luz  do ambiente, mas parece ter uma luminosidade própria, sempre com muito contraste. A opção pelo preto-e-branco, necessária para manter a fidelidade à HQ, serve também como forma de atenuar a presença da computação gráfica, tornando-a menos “fake”. E ainda ameniza cenas chocantes, ao dar uma cor esbranquiçada ao sangue em alguns momentos.

Contudo, o que mais impressiona é o texto de Miller. A escolha das histórias a serem transformadas em roteiro foi simplesmente brilhante: a trama se interliga em três grandes plots, (retirado das HQs “A Cidade do Pecado”, “A Grande Matança” e o “Assassino Amarelo”) com um pequeno prólogo (“O Cliente tem Sempre Razão”) e um epílogo. Todas com algo em comum: amor e honra.

Afinal, é por honra que o homem do prólogo cumpre seu objetivo. A mesma honra que faz Marv, o psicopata sádico e cruel, matar meio mundo para vingar a morte de uma mulher, gentil a ponto de abstrair sua carranca e lhe fornecer uma noite de amor. E também o que faz o cardíaco Hartigan arriscar a vida para salvar uma garotinha das garras de um pedófilo assassino. Para Dwight, a honra aparece em dose dupla: quando protege a garçonete Shelley do assédio do policial violento Jackie Boy e, mais adiante, ao meter-se numa grande matança para proteger Gail, sua amada de uma noite só.

Os “mocinhos” possuem moral duvidosa: Marv é o ex-presidiário muito bem definido por Dwight como “o homem que nasceu no século errado. (...) ficaria à vontade matando num campo de batalha medieval ou lutando com outros gladiadores na arena”. Cruel e sanguinário, embora afável com as mulheres, e capaz de qualquer coisa para protegê-las. O mais intrigante nele é sua consciência: sabe que tem transtornos mentais, questiona seu julgamento e pensa antes de agir. Já Hartigan é o policial honesto, vítima de uma trama sórdida que o faz perder tudo – até a família – devido a uma obsessão pela garotinha Nancy. E há ainda o personagem sem nome do prólogo e epílogo. Seu trabalho consiste no ápice da moral discutível (e mais não dá para dizer sem estragar surpresas).

A escolha dos vilões também surpreende: um senador, Roark, (e seu filho, Roark Jr., futuro candidato a presidente dos EUA), um policial, Jackie-Boy, herói no trabalho, alcoólatra e esmurrador de mulheres nas horas vagas, e um cardeal assassino, também da família Roark. Há também o assustador e mudo Kevin, atuando como vicário do clérigo. E aí está o gênio do escritor, ao fugir do maniqueísmo. Se os representantes do Governo, da Lei e da Igreja não são dignos de confiança, o que fazer? 

Apelar para a violência. Embora ela apareça de forma exagerada, cômica em alguns aspectos e de ser um estilema nos filmes adultos de Rodriguez (e de seu mestre e amigo Tarantino), nesse caso o banho de sangue é justificado. Diante da falta de alternativas, a única forma de justiça seria a que apela aos instintos mais básicos do ser humano: a vingança, o olho-por-olho. Não que todos sejam amorais pura e simplesmente, apenas encontraram a sua forma de expressar justiça em uma cidade sem fé, sem rei e nem lei.

Os personagens masculinos ostentam ainda um senso de honra muito forte, tornando-os samurais urbanos sem mestre – coerente, considerando-se que Frank Miller escreveu a HQ “Ronin” – e dispostos a arriscar tudo por uma causa.

Já as personagens femininas exigem uma análise à parte: de certa forma elas seguem o esquema “donzela em apuros”, precisando de homens para resolver ou ajudar a resolver seus problemas. Porém, o clichê aparece bem aplicado e não chega a incomodar uma espectadora do sexo feminino pelo fato de elas também serem fortes e decididas: vide Miho, a japonesinha frágil que maneja katanas com a destreza de uma Noiva, ou Gail, dominatrix e mestra do bondage que não tem medo de briga. Até mesmo a pobre Nancy, azarada a ponto de ter sido capturada (duas vezes!) pelo pedófilo, teve a força de caráter para suportar várias torturas sem dar ao facínora o gostinho de ouvi-la gritar. Até mesmo uma aprendiz de vilã merece consideração (por ter tomado a decisão de trair seu grupo). Ressalvas, talvez, apenas à garçonete Shelley que parecia gostar de tomar uns sopapos do Jackie-Boy, no melhor estilo “bate-que-eu-gamo” e à ligeira falta de inteligência da agente de condicional Lucille, que comete uma falha absurda para uma representante da lei.

Permeando todas as tramas, o amor em diversas versões: intenso e sincero de Marv pela Goldie, passional de Dwight por sua guerreira e hesitante, quase imoral, de Hartigan por Nancy.

Sim, existem momentos absurdamente “masculinos”: a cena das prostitutas poderosas em trajes sumários armadas até os dentes deve povoar as fantasias de dez entre dez marmanjos. O mesmo valendo para as aparições da Jessica Alba bancando a vaqueira-stripper. Contudo, esses exageros movidos pela testosterona tornam-se compreensíveis pelo fato de mulheres fatais (nesse caso, com todo o trocadilho possível) serem elementos-chave para um filme noir. Pelo menos o público feminino teve o Clive Owen para babar em cima.

Em suma: por trás de todo o banho de sangue estilizado, há uma trama consistente, personagens bem definidos, defendidos de forma competente por seus intérpretes e uma moral à vista, muito menos deletéria do que uma primeira visão preconceituosa possa ser capaz de imaginar.

P.S: Marv é o cara! Louco, psicopata, sádico, horroroso, mas sensível e apreciador da beleza feminina. Melhor personagem da história, ganha um certo charme com aquela honra toda. Sério: terminei o filme praticamente com vontade de dar pra ele, como fez a Goldie...  :D



Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h29
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   Uma babaquice e uma reflexão

Hoje, galera (preguiça de escrever nome de todos! :D) no Habib’s do Rio Sul comemorando aniversário da Fernandinha. Numa das TVs, passava o clipe daquela música horrenda do Jota Quest, cujo refrão é “O amor é o calor que aquece a alma”

Eu: devia ser proibido rimar amor com calor.
Alguém (não lembro se foi a Lili, a Aline ou a Fernandinha): realmente, isso é uma rima muito pobre.
Eu: muito pobre? É uma rima miserável! Poderia ser objeto de foto do Sebastião Salgado, de tão pobre!

No mais, o almoço foi ótimo: falamos bobagens, lembramos de como nos conhecemos na ECO e, lógico, nos empanturramos de pizza no Habib’s e depois partimos para uma deliciosa torta de chocolate da Chaika. Comi tanto que, mesmo depois de uma hora e meia altamente aeróbica de boxe, não consegui gastar aquilo tudo... :D

Contudo, o que me impressionou mesmo nessa (cada vez mais rara) oportunidade de juntar boa parte do pessoal, foi o incrível contraste entre as publicitárias exultantes e as jornalistas hesitantes (com exceção do Thiago, daí o uso do artigo no feminino :D).

Pode ser cedo demais para reclamar, mas convenhamos, é o primeiro período do ciclo profissional, cujas matérias possuem nomes promissores como “Técnicas de Reportagem” e “Redação Jornalística”. Era para ser divertido, certo? Pois bastaram três dias para descobrir que essas duas disciplinas obrigatórias têm professores pífios e aulas entre o patético e o monótono. Em contrapartida, as estudantes de Publicidade falavam das maravilhas ditas pelos docentes de suas respectivas matérias.

Vejam bem: não pretendo trocar de habilitação, até porque tenho um *imenso* prazer em zuar o pessoal de PP! :D Mas confesso que se não fosse o ótimo curso de Jornalismo Cultural da Fundação Mudes que fiz há alguns meses, eu estaria cogitando passar pro lado dos marqueteiros. Ou aloprar de vez e alimentar meu sonho maluco de virar roteirista de seriado de TV. Nos EUA, é claro.

Enfim, estou chateada com esse quarto período. Ainda bem que existem as matérias do ciclo básico e as eletivas para manter minha sanidade - ou acabar com ela de vez, considerando-se que estou com *nove* matérias e não consigo largar nenhuma. Ou toda essa melancolia pode ser um misto de falta de sono e TPM, quem sabe?



Escrito por mim mesma, oras! :P às 21h16
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   Momento sem Noção Parte 1 – Miopia (ou dislexia) dirtymind

Sábado, no Odeon, na fila esperando pra rever "Sin City". Olho o cartaz do filme "Banquete de Casamento", a ser exibido na mostra Ang Lee em cartaz. O interlocutor é o Skywalker, figuraça as ever, mas quem paga o mico sou eu:

- Putz, você não vai acreditar no que eu li ali em vez de “banquete de casamento”
- É, isso realmente diz muito sobre sua personalidade.
- Diz mesmo... É aquilo: “Você é a favor do sexo antes do casamento? Claro, desde que não atrase a cerimônia”.

E *preciso* explicar o que li por engano no titulo do filme? :D


Momento Sem-Noção Parte 2 – Time of Your Life

Essa história me foi passada pelo Skywalker e pelo Luis. Segundo eles, é verídica:

Ônibus no RJ. Adentra uma garota vestida de preto, com o rosto devidamente maquiado de branco, perguntando qual era o ponto mais próximo do cemitério. Um passageiro, curioso, puxa papo:

- Tá indo visitar algum parente?
- Não.
- É velório de alguém então?
- Também não.
- Então por que ir ao cemitério?
- Ah, eu gosto de cemitérios. É que eu sou gótica.
- O que é isso? É uma religião?
(pausa pros leitores rirem)

Não sei bem o que rolou a partir daí, só sei que ao fim da conversa o passageiro gaiato lasca:

- Ô motorista! Pára aí que tem um defunto querendo descer no cemitério!

Ok, eu sinto Vergonha Alheia por essa garota. Mas como eu gostaria de ter visto essa cena! Só pra rir, ou manifestar solidariedade à moça, mostrando meu ankh. Ou perguntar se ela se chamava Didi e tava indo ajudar algum aborrecente suicida. :P

Aliás, isso me lembra dois outros momentos sem noção ocorridos em ônibus também Death-related.... Mental note to myself: postar isso algum dia. 

P.S: Ando enrolada com meu novo trabalho de tradução, mas como sou prevenida estou usando meu estoque de posts de reserva! :D



Escrito por mim mesma, oras! :P às 04h35
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   Babaquice solitária

Chego em casa, tomo banho e ligo a TV. Passa o interminável comercial da mini-lixadeira não sei das quantas, no melhor estilo do finado 011-1406. Ouvindo a ladainha que dizia ser o aparelhinho capaz de furar, lixar e tudo o mais, não resisti e mandei bala:

"Eu tô me lixando pra essa lixadeira..."

E mudei de canal. Detalhe: não havia mais ninguém em casa para ouvir a pérola! :)



Escrito por mim mesma, oras! :P às 04h28
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   Decisão

Estava farto daquilo tudo. Já havia tentado demais, lutado demais. Seu pensamento fluía tão rapidamente quanto a paisagem ao redor. Ele sabia que estava acima do limite de velocidade, mas sua raiva era maior que esses detalhes mundanos.

Pegou o celular, discou o número há muito conhecido e acionou o viva-voz. Precisava desabafar. Não importava se seria ouvido. O objetivo era descarregar esse ódio. E começou a falar:

Quer saber? Cansei! De tudo isso, de todo esse esforço em vão! De todas as minhas tentativas infrutíferas. Essa foi a última vez, sabe? Todos ficavam me dizendo “É assim mesmo, depois passa”. Mas não passou! E só piorou com o tempo!

(Ler mais)

É isso mesmo: o Círculo das Trovadoras de Minerva voltou com tudo depois das nossas merecidas férias. Textos intensos, emocionantes, instigantes e divertidos. A reunião, no Jardim Botânico, talvez renda um outro post, mas aproveito para dizer que um dos melhores momentos foram as fotos com altas poses sexy dirigidas com maestria pela Laura. Sim, Skywalker, dessa vez há fotos! :) 



Escrito por mim mesma, oras! :P às 01h15
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