Contos, poemas, críticas e o que mais der na telha (ou na tela, sei lá)
   Você sabe que está vendo "Lost" demais quando...

No estágio, ligo para uma assessoria de imprensa. Ao ne despedir, pergunto o nome da moça simpática com quem falei. Ela responde: "Kate".

E meu primeiro ímpeto foi perguntar: "E o Sawyer, como vai?" Ou então: "Mas afinal, o que foi que você fez, além de roubar aquele banco?" :D

***

Mudando subject: Livrei-me do Carlos Lacerda! A apresentação de Radialismo foi hoje e devo ter ganho algum prêmio de melhor atriz, porque consegui disfarçar o nervosismo. Maninha Aline mandou muito bem, ainda mais por ter ficado com o tijolo maior e mais chato (eu disse chato e não Chatô, que coisa).

Quer dizer, quase livrei-me: falta entregar a parte escrita pro Mansur...

Escrito por mim mesma, oras! :P às 15h14
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   Finalmente um seriado que está valendo a pena esse ano

"House" é, de longe, o melhor e mais criativo seriado de TV no ar atualmente. O episódio dessa semana foi excepcional, com destaque pras cenas inicial e final ao som de versões diferentes de "Beautiful" (originalmente da Cristina Aguillera). O simbolismo da letra ganha sentidos absolutamente diferentes e perfeitos seja referindo-se à protagonista ou ao Dr. House. Genial.

De resto, que outro médico seria capaz de fazer uma menina de 9 anos com câncer terminal e disposta a viver cogitar a idéia de suicídio? E quem mais seria capaz de tratar sua rinite com cocaína e dizer que é antialérgico?

Sério, ver o médico mas irascível da TV levar lição de moral da tal garotinha com câncer e ficar abalado com isso não tem preço.

Bom saber que ainda há seriados inteligentes por aí. Minha temporada está salva. Porque "Lost" e "Desperate" estão meia-boca e "24" é quase passado para mim. Só está faltando "Nip/Tuck" voltar ao ar.

Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h18
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   V de verdades que precisavam ser ditas

Baseado nos clássicos quadrinhos de Alan Moore, “V de Vingança” engana o espectador. Seu trailer vende ação descerebrada, mas o resultado deixa um gosto amargo na pipoca. Trata-se de um thriller político cujos petardos possuem direção certa, a administração de George W Bush.

A Inglaterra futurista que na HQ original servia de alegoria crítica ao governo Thatcher foi devidamente atualizada, com direito a citações à gripe aviária, mas mantém questões bastante pertinentes aos dias de hoje: até onde é válido reagir à opressão com violência? Explodir prédios pode mesmo mudar o mundo? Vale usar os recursos do inimigo, no caso a mídia televisiva, para mostrar os podres do governo e causar alguma mudança? Todas essas perguntas ficam no ar, em um raro exemplar de blockbuster capaz de desenferrujar neurônios.

O “vilão” V é um anarquista de primeira hora. Vítima das inumanas experiências feitas nos porões do governo (que lembram os horrores nazistas), passou a vida planejando sua vingança. Mais do que matar seus algozes, quer abalar as estruturas do sistema destruindo um de seus símbolos. Psicopata, sim, mas extremamente culto e carismático.

Tão carismático que mesmo usando de métodos questionáveis, conquista a simpatia da mocinha Evey para sua causa. Aliás, a atitude de certa forma é compreensível, além de mostrar exatamente o que ele sofreu, transformou a moça na proverbial “tabula rasa”, pronta a assimilar os novos ensinamentos, depois de “perder todos os medos”. E funcionou. Numa espécie de síndrome de Estocolmo, toda a hesitação dela foi embora depois do... tratamento.

Aliás, o que me intriga mesmo nessa parte do filme é porque diabos ela resistiu tão bravamente? Buscar seus próprios limites? Teimosia pura e simples? Orgulho? Não importa. O fato de ser uma personagem feminina de coragem é sempre algo a ser comemorado. Por sinal, esta foi uma liberdade bem-vinda em relação ao original, a Evey da HQ é mais “tolinha” e precisava mais do tratamento de choque, enquanto a do filme ganhou um background e mais motivos para hesitar em acompanhar o mascarado.

O roteiro funciona como espelho ficcional para a era Bush pós-11 de setembro e o fato de o governo ter implantado um vírus para matar cidadãos inocentes apenas para “endurecer” o regime alimenta a rede de teorias conspiratórias sobre os aviões lançados às Torres Gêmeas. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Outro ponto interessante diz respeito à manipulação da mídia, refém do governo autoritário e o fato do V usar a própria TV estatal para divulgar seu boletim. E ele foi um comunicador/marqueteiro tão bom que fez de suas ações verdadeiros happenings, quase instalações pervertidas de arte contemporânea. Como explicar de outra forma a música clássica e os fogos de artifício?

Por sinal, uma das cenas dignas de destaque é a explosão do prédio do Parlamento Britânico ao som da “1812 Overture”, de Tchaikovsky. Anarquicamente lindo. Outro exemplo do senso de humor do roteiro dos irmãos Whachowski é quando o assaltante com máscara do V rouba uma loja e grita “Anarchy in the UK”, como no hino punk dos Sex Pistols. E ainda há o orgasmo visual dos dominós formando o logotipo do V, que emula o símbolo da anarquia.

Defeitos? Apenas algumas das liberdades tomadas em relação aos quadrinhos em prol de uma narrativa clássica: o protoromance entre Evey e V jamais existiu na HQ, bem como aquele final ridiculamente “explicadinho”, levando o espectador pelas mãos tal qual uma criança de dois anos. Ambos são injustificáveis, servindo apenas á lógica hollywoodiana emburrecedora que infelizmente ainda existe.

Há também o exagero na cena em que V enfrenta, sozinho, “trocentos” agentes do governo. Mas convenhamos, ficou um “over” muitíssimo bem filmado. Só o rastro dos punhais e os movimentos em bullet time a la Matrix mostram que o novato James McTeigue seguiu direitinho a receita dos seus mestres, os irmãos Whachowski.

Contudo, uma terceira liberdade funcionou tão bem que deveria ter marcado o final do filme: a cena na qual milhares de pessoas usam a máscara do V possui imensa força dramática e visual. De arrepiar qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade.

Mas nada disso funcionaria tão bem sem as atuações irrepreensíveis de Natalie Portman e Hugo Weaving como o “casal” protagonista. Ela consegue passar força e fragilidade ao mesmo tempo, algo fundamental para Evey. Aliás, o público feminino fica roxo de inveja pelo fato de a moça continuar linda mesmo completamente careca. Já Weaving nasceu para este papel, sua performance nos faz enxergar expressões na máscara do V. E que voz é aquela? Todas as nuances do personagem estão lá: suave, mas firme. Galanteador, mas meio louco. Belíssimo trabalho.

Porém, nem tudo é perfeito: como fã da história original, senti *muito* a falta de uma cena importantíssima, digna de ter fechado o filme: Evey tirando a máscara do rosto do V, morto, e colocando em si mesma. Ilustraria continuidade e recomeço, reforçando o lema das “idéias à prova de bala” defendido pelo protagonista.

Outra cena que fez falta: na HQ, quando V dá sua aulinha de história para Evey ensina ao leitor que a cultura fora erradicada pelo governo, “esmagada como um maço de rosas mortas”. Essa frase era fundamental, considerando o amor do protagonista pelas artes E serviria para tornar o vilão Prothero ainda mais odiável.

Apesar disso, trata-se de um filme arrebatador, dirigido com propriedade pelo novato McTeigue embora certas quedas no ritmo possam entediar alguns espectadores. A fotografia é fantástica e junto com a direção de arte atualiza a linguagem da HQ para os dias de hoje, ao mesmo tempo dando um tom de fábula atemporal à história.

Em suma, “V de Vingança” faz pensar sobre até onde os fins justificam os meios, ou se a violência perde ou não a validade quando usada como arma contra tiranos. “Remember, remember, the fifth of november”. Alguém tem uma máscara de Guy Fawkes aí? Nosso país bem que anda precisando de uma sacudida...

Escrito por mim mesma, oras! :P às 19h32
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   Texto fofo de uma pessoa idem

O conto abaixo não é meu, foi um presentão do Marcio, aprendiz de Destruição com quedas pra mané-mor, mas com uma sensibilidade precisa. Brigada, minino! Apreciei deveras e sobremaneira. :)

Endless days

Ela olha para a baía que se aproxima e pensa no dia que terá à frente. A noite foi estranha, cheia de sonhos. Se ao menos ela pudesse lembrar.

A faculdade é uma das melhores partes do dia. Adora fazer o que faz, agora. Finalmente parece ter se encontrado em um meio. Gostava (ainda gosta) de Informática, mas o antigo curso a lembra de uma menina que ela era e que tenta deixar para trás.

Jornalismo foi a escolha natural. A curiosidade pelo mundo sempre a acompanhou e a paixão pelo poder das palavras a fascinava sempre. Hoje nem se lembra direito do porque não havia feito o curso antes.

As aulas são interessantes, mas hoje, por alguma razão, não consegue se concentrar totalmente. As anotações da aula são gravadas na memória do palm para serem lidas mais tarde. Talvez depois ela consiga prestar maior atenção ao que o professor está explicando. O sonho volta à sua mente, inúmeras vezes. “Sobre o que era mesmo? Ah! Que droga! Odeio não lembrar das coisas!”

O almoço é divertido. As “maninhas” estão todas lá e ela está contente por poder mostrar finalmente o texto que escreveu para o último desafio das Trovadoras. Alguns outros alunos passam e ela pode ver um pouco da inveja nos olhos deles.

As meninas foram uma das melhores coisas que a faculdade trouxe à vida delas. Nunca pensara muito sobre como algumas amizades podiam mudar para sempre a nossa vida. Sempre fora bastante sozinha, capaz de si. Mas agora ela tinha ombros a procurar, quando as coisas pareciam pesadas (ela sorri sempre que se lembra que vive pedindo conselhos à meninas quase 10 anos mais novas). E os risos? Elas sorriem e se divertem e tudo parece mais leve quando elas estão juntas.

As Trovadoras se despedem com um abraço grupal.

Ela precisa correr para o estágio. Pensa em como tudo nos últimos dias parece ter sido feito em meio a uma correria. Gosta do estágio, mas trabalhar para um site de tecnologia tem muito a ver com o passado que ela quer deixar para trás então promete a si mesma que o estágio vai durar apenas 6 meses. Está olhando coisas na área de Cultura.

Cinema. Quer muito trabalhar com crítica de cinema. Adora os detalhes das produções. Quer muito fazer parte deste mundo.

O celular toca e é um número que ela não conhece. Atende sem muita certeza de como falar. A voz masculina do outro lado é conhecida. O menino com quem ela ficou, na festa do sábado. Ele conversa com ela usando um tom rouco. Ela quase pode ver o sorriso safado no rosto dele. Quer vê-la. Marcam se encontrar no dia seguinte, no final da tarde. Ela tinha um trabalho de tradução pra fazer, mas os argumentos dele foram muito bons.

Escrito por mim mesma, oras! :P às 01h02
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   Endless Days - Parte 2

Ela faz algumas entrevistas, contatos com programadores e analistas de sistemas, atualizando o site e pensando ainda um pouco no sonho que teve. “Putz! Queria lembrar do que sonhei.”

A conversa no telefone a faz lembrar da adolescência. Sempre se achou feia e a adolescência foi cheia de problemas com os meninos. Mas nos últimos anos, parece que algo aconteceu. Não tem certeza do que foi, mas os meninos estavam prestando maior atenção a ela, recebia sempre telefonemas de meninos com quem havia ficado, pedindo para encontrarem com ela novamente. Gostava dessa atenção toda, mas ainda se sentia estranha, lá no fundo. Não gostava de muita coisa em si mesma. Detalhes bobos, mas que a faziam se preocupar demais, às vezes.

O que incomodava mais era um detalhe que algumas pessoas viam nela e que ela gostaria muito de mudar. Não gostava de ser vista como alguém mais racional do que emocional. Isso a lembrava demais de coisas que não gostava. A racionalidade era tão mal vista, entre pessoas sensíveis. E ela se sentia uma pessoa sensível. Os textos que escrevia eram uma amostra dessa vontade de se mostrar mais emocional. Mas ainda havia gente que dizia que ela seria sempre racional.

“Ah! Que se danem. Eu vou ser do jeito que quero e pronto.”

Olhou para o relógio e ficou surpresa em ver que era hora de ir embora. Despediu-se da chefe e foi correndo embora.

A barca estava cheia, mas conseguiu um lugar para se sentar perto da janela. Abriu o palm, como sempre fazia. Colocou os fones de ouvido e começou a escutar o último cd do Franz Ferdinand. As anotações da aula estavam abertas e ela as lia com atenção, mas a cabeça já no que iria fazer mais tarde.

O movimento da barca começou a fazer efeito sobre o cansaço dela. Os olhos pareciam pesados e a música parecia só aumentar a sensação de sono. Fechou os olhos e se viu em um lugar diferente.

Ouviu o barulho de asas e se virou. Uma menina vestida de preto estava sentada em cima de uma pedra, observando-a debaixo de um guarda-chuva negro. O sorriso da menina era simpático e apesar da roupa em estilo gótico, ela parecia ser uma pessoa meiga. A menina se levantou da pedra, fechou o guarda-chuva e começou a andar, se afastando. Tentou acompanhá-la, mas a menina gótica havia sumido. Voltando a pedra, viu que havia algo brilhando sobre ela.

Um pequeno ankh prateado havia sido deixado ali. Ela o pegou, quando sentiu alguém tocando-lhe o ombro.

Na barca, um menininho lhe cutucava o ombro, fazendo-a acordar de repente.

“Já tá chegando. Não vai ficar dormindo não!”

Ela agradeceu à criança e pôs-se a guardar as coisas, quando percebeu, no fundo da bolsa um brilho metálico. Um ankh pequeno jazia ali, como no sonho.

Ela colocou a peça no cordão que usava e o recolocou no pescoço. Se alguém prestasse atenção, veria nela um sorriso exatamente igual ao da menina do sonho.

Escrito por mim mesma, oras! :P às 00h38
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   Tornando cavalos em unicórnios

Acho que vejo coisa onde não existe. Meto os chifres nas cabeças dos cavalos. Não com super-bonder nem com parafusos. Mas com o puro poder do pensamento.

Ainda assim (ou talvez por isso) quase cometi uma bobagem ontem. As palavras estiveram na ponta da língua mas foram substituídas por um outro gracejo.

Talvez por saber o poder das palavras, temi pelo que pudesse ter proferido.

Ou pela resposta.

Cavalos e chifres... A epopéia continua.

Escrito por mim mesma, oras! :P às 19h53
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