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   Sobre idiomas e indumentárias

Meu inglês anda de jeans e camiseta, largadão (e americano) mesmo. Até sai de roupa social, mas se sente um tanto desconfortável quando isso acontece. Traje de gala? Definitivamente não. No máximo um acessório mais chique aqui ou acolá.

(Putz, pensei numa boa maneira de exemplificar isso, mas seria spoiler do primeiro episódio do terceiro ano de “Lost”, então esquece)

Já meu português... Esse tem senso fashion: sabe ostentar a roupa ideal no lugar certo: casual para uso diário (embora goste muito de acessórios clássicos no cotidiano), social nos eventos formais e se mete em trajes de gala em momentos especialíssimos. Simplesmente porque pode.

***

Essa deve ter sido a metáfora mais tosca que já fiz... Mas a idéia surgiu depois de alguns posts lá no meu Live Journal, onde só escrevo no idioma de Shakeaspere (e Gaiman). Não tão bem quanto eles, óbvio. Ah, quer saber onde é? “Ask me, ask me, ask me” como diriam os Smiths...


Escrito por mim mesma, oras! :P às 21h20
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   Comentários acachapados sobre "The Fountain"

Considerações pré-textuais: estas são apenas breves impressões, ainda sob o impacto do filme que acabei de ver. Certamente haverá comentários mais detalhados assim que as idéias a respeito (muitas!) se sedimentarem. Dito isso, vamos lá:

Este filme deveria vir com um aviso: deixe o seu cartesianismo e o modo de pensar ocidental do lado de fora. Esqueça noções como a de causa e efeito e, principalmente, a de tempo linear. De quebra, ponha de lado os conceitos sobre vida e morte. Pense na idéia de tempo circular e nos contrastes do yin/yang: dia/noite, branco/preto, masculino/feminino, vida/morte. Pronto, agora você estará apto a mergulhar em “The Fountain”.

Darren Aronofsky aborda de forma ambiciosa e ecumênica a jornada de um homem e uma mulher pelos mistérios da vida e da morte. Ambiciosa por não se prender a uma só interpretação e flertar com o budismo, o cristianismo, o paganismo, o espiritualismo e, por que não, com a física quântica e a ecologia. Trata também do poder das palavras, da arte como forma de transcendência e do embate entre uma mente puramente científica e outra devotada às artes. E mais não deve ser dito, sob pena de retirar o impacto dessa experiência cinematográfica.

Tecnicamente, “A Fonte da Vida” é primoroso em sua sutileza e poesia: da fotografia em tons dourados ao uso da geometria em diversos planos à escolha de cenas na montagem, passando pelo uso de close-ups que explora a beleza do casal protagonista, à brincadeira com a continuidade nos planos “invertidos” ou o truque com o som ao tirá-lo de uma cena importante. Puro domínio da arte de contar uma história em imagens gerando uma seqüência de belas cenas.

Contudo, de nada vale o visual sem um bom trabalho de atores e, nesse sentido, tanto Hugh Jackman como Rachel Weiss merecem elogios. Ele, em particular, por ser mais exigido e corresponder com uma interpretação vigorosa e entregue, sem jamais chegar ao exagero.

Trata-se de um filme-cabeça no melhor dos sentidos: para instigar a mente, fazer pensar. Particularmente corajoso por estimular uma abordagem ecumênica de um assunto que interessa a todos: viver e morrer.

Ah, sim: fãs de Neil Gaiman vão se deliciar encontrando referências (eu estava vendo a hora de aparecer uma garota gótica ali a qualquer momento :D)

Pra fechar: Por que, ó, por que cortar a sensacional cena de sexo quente na banheira idem? Dane-se a classificação indicativa! Aguardo *ansiosamente* pela versão do diretor. :D

Escrito por mim mesma, oras! :P às 23h22
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