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“The Prestige” – Prestidigitação Cinematográfica
O que é real? O que é ilusão? Essas são apenas algumas das perguntas que ficam na cabeça depois de assistir “The Prestige”, cujo roteiro vai muito além da premissa de uma simples disputa entre dois mágicos por fama, dinheiro e pelo “Grande Truque”.
Com fotografia e cenografia discretas e eficientes o espectador fica livre para prestar atenção ao roteiro, que a exige em boas doses. “Are you watching closely?” é o mote da trama e deve ser seguido à risca.
A história emula um truque de mágica com seus três atos: “The Pledge” (A Promessa), “The Turn” (A Virada) e “The Prestige” (O Truque) e filosofa sobre as delícias de ser enganado. A metáfora com o cinema é clara: além dos famosos três atos do roteiro aristotélico, 24 quadros por segundo fornecem tanta ilusão quanto um coelho saindo da cartola. Em ambos os casos, o público sabe estar sendo enganado e, mais do que isso, assim o deseja.
A ironia está justamente no fato de o espectador precisar mesmo se deixar iludir para apreciar “O Grande Truque”. As informações para compreender a trama cheia de reviravoltas e sacar seus mistérios estão lá e nem são difíceis de serem percebidas. Mas é fácil esquecê-las e se deixar enredar nos deliciosos plot twists. Por sinal, não se trata de um filme fácil: a narrativa não é linear e flashbacks entremeiam a história, misturando-se com o tempo presente. Mas há piscadelas cúmplices para recompensar o espectador atento.
Outro ponto capaz de afugentar algumas pessoas está nas múltiplas camadas dos protagonistas: não há um que seja unidimensional, 100% bonzinho ou malvado. Todos se mostram safados, cruéis, vis. E também carinhosos, amáveis. Ou seja, humanos. Coisa rara de se ver em um filme “cinemão”. Nesse sentido, as atuações de Hugh Jackman, Christian Bale e Scarlet Johansson, perfeitos nos respectivos papéis, só reforçam a ambigüidade.
De brinde, há ainda uma trama paralela sobre a disputa de egos no ramo da ciência. Em uma época em que feitos científicos eram apresentados como espetáculo, tudo era permitido em nome da fama: roubos, traições, mortes. E se a ciência também tem lá seus mistérios, até onde vão as semelhanças e diferenças entre cientistas e mágicos?
Como em “Amnésia” e “Batman Begins”, Christopher Nolan reforça seu gosto pelos tons de cinza, criando personagens e tramas complexas capazes de queimar neurônios das platéias. Esse talvez seja a única ressalva “The Prestige” não é um filme-pipoca e não faz concessões ao espectador. Exige apenas uma mente aberta, um tanto artística. Ou seja, se você nunca achou graça em um show de mágica, passe longe.
Um adendo aos fãs de “Lost”: a narrativa não-linear, o roteiro cheio de “pegadinhas” e um triângulo amoroso pra lá de ambíguo deixam o filme ainda mais divertido. Encontrem as analogias vocês também. :)
Escrito por mim mesma, oras! :P às 18h36
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